quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A Half-Read Book

And I think that you are like a good book I have left half-read: I am eager to know what is coming next, but I still fear it can ruin what I have already read.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Marionette Show

I feel my restless mind will never match the steadiness of life.
Have it all been rehearsed? Or is it just a déjà vu?
It is just because I feel I live the same old chapter of a slow-paced book.
I make an effort not to believe that is all it is ought to be
I feel I am in a marionette show and even if I am the most resigned
The strings that move me up and down
The strings that take me back and forth
They will be the same to strangle me.

sábado, 7 de novembro de 2009

A Aliança

Acordou naturalmente e feliz por não ter sido despertado pelo celular e, ainda se espreguiçando, tateou a mesa de cabeceira. Tateou, tateou e nada. Esfregou os olhos, resmungou alguma coisa e se levantou para abrir janela. Com a luz do sol invadindo o quarto e iluminando o corpo de Fernanda, ele se dirigiu à mesinha onde deveria estar a aliança. Olhou nos arredores e nada, abriu a gavetinha e nada, passou a procurar por todo o chão do quarto, olhou embaixo da cama, levantou tapetes e nada. Não estava lá e naquele momento já estava bem acordado para perceber a gravidade da situação.
- Volta pra cama, paixão - disse Fernanda, com a voz sonolenta. Ele, entretanto, não tinha ouvidos para ela. Revirava os bolsos das calças, virava a mala de cabeça para baixo, abria as gavetas e as portas do guarda-roupa repetidamente e chegou a procurar dentro de sapatos. O desespero se transformava em um suor quente que escorria pela sua face e em um tremor que tomava conta de suas mãos. “Puta que pariu!”, pensou ele parado no meio do quarto enquanto tentava inutilmente reconstituir os seus passos do dia anterior. Não conseguia pensar em como poderia ter perdido o anel – chegara em São Paulo havia três dias, falsa viagem de negócios, a amante é que morava providencialmente em outra cidade. Não, a aliança não tinha saído do quarto em nenhum momento e o vôo de volta para casa era em 5 horas. O que ele diria para a esposa?
Talvez encontrar a desculpa não fosse assim tão difícil se ele já não tivesse inventado outras tantas em outras viagens. A aliança já tinha caído no ralo do banheiro, já tinha sido roubada e inclusive engolida pelo cachorro de um amigo. A mulher aceitara essas explicações sem apresentar nenhum questionamento. Dessa vez, entretanto, ele não conseguia pensar em nada que explicasse o seu retorno para casa sem a aliança. E ele tinha a melhor esposa do mundo, dedicada com ele e com as crianças, exímia dona de casa, bonita e sempre impecável. Então por que a amante? Isso era claro, esposa era esposa, a outra era a outra. Lembrou-se que ela o esperaria como sempre com um jantar delicioso, se lembrou que ela ligava pontualmente às 18h todos os dias em que ele estava fora, assim ele não precisava ligar e nem se preocupar com uma ligação inoportuna.
Fernanda acordou e ele nem lhe deu atenção, resolveu sair e perguntar na portaria do prédio, nos restaurantes onde tinham jantando, em todos os lugares onde pode lembrar. Nada, era inútil, havia perdido a aliança. “Imbecil!”- falou alto, recebendo olhares de estranhamento dos vizinhos que estavam com ele no elevador. Voltou para o apartamento e imaginou a situação: ele diria que tinha perdido a aliança, a esposa prontamente desconfiaria e exigiria melhores explicações, ele, já demonstrando nervosismo, seria incapaz de apresentar qualquer justificativa decente e entregaria anos de viagens falsas e gastos excessivos com o que ele sempre chamara de “investimentos profissionais”. Ela choraria e ameaçaria ir embora, gritaria impropérios e ele teria que aceitar porque a culpa era toda dele. “Imbecil!”.
Foi embora brigado com a amante, sabia que ela o tinha xingado muito, mas a preocupação com a volta para casa era tanta que ele não ouviu uma palavra sequer. No avião, pensou que talvez devesse ter tentado comprar outra em São Paulo, mas sabia que a esposa era observadora e perceberia qualquer mínima diferença. Será que não tinha procurado direito? Já era tarde demais, suava muito e a aeromoça perguntou se ele estava se sentindo bem. “Medo de avião”, ele respondeu. Chegou em Porto Alegre e apanhou um táxi para casa. O momento do confronto estava próximo. Ela perceberia na mesma hora.
Abriu a porta de casa e a esposa desceu correndo as escadas. “Meu amor!” – ela disse – “Bastam poucos dias para eu quase morrer de saudade!” Deu um longo abraço no marido, contou algumas novidades e o achou estranho.
- Tudo bem?
- É... mais ou menos, meu amor. Vou te dizer agora, antes que tu pergunte, olha só – falou mostrando a sua mão – perdi a aliança, foi quando eu fui jantar na casa do meu colega e acho que a minha mão estava...
- Ah, tudo bem, querido – disse ela, dando um tapinha na bochecha do marido – a gente manda fazer outra pra ti.
Quando ela virou as costas, ele fechou os olhos e respirou com alívio. Finalmente largou a mala e, enquanto se dirigia ao quarto, contemplou a perfeita organização da casa. Chão encerado, almofadas metodicamente arrumadas no sofá, a cama impecavelmente feita e o banheiro perfumado. Ela sabia que ele gostava da casa em ordem. Não percebeu que o rolo do papel higiênico encontrava-se do mesmo tamanho e que o tubo de pasta de dente continha a mesma quantidade de pasta. Foi tomar banho e nem percebeu que, na verdade, estava tudo do mesmo jeito que ele havia deixado.

domingo, 18 de outubro de 2009

Nothing's changed.

My life has changed
In so many ways
I cannot believe
That I'm still the old same.

domingo, 11 de outubro de 2009

Saudade

É pior que a angústia que aperta o peito
Que se estende por noites e que para o tempo.
É pior que sentir o coração quebrado
Estilhaçado em pedaços difíceis de remontar.
É pior que trilhar caminho obtuso
Arrependimento doído num passado perdido.

É pior que qualquer sentimento obscuro
É não ter solução, é ignorar a razão.
Pior que qualquer sofrimento agudo
Que rápido derruba, mas que o tempo dissipa
É a saudade constante, corroendo por dentro,
Secando as lágrimas e ensinando a lição
De que ela é eterna e de impossível extinção.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

( I can get) Satisfaction

Cansei. Cansei de ser reclamona, de ser insatisfeita com as coisas. A insatisfação é um fantasma que me assombra, mas tenho que me lembrar de que não acredito em fantasmas. Penso às vezes o quanto da vida eu perco fazendo reclamações, querendo ter o que não tenho, querendo ser o que não sou. A faculdade é sempre um saco, o trabalho é monótono, o corpo não agrada ao espelho. É sempre assim e sempre será. Não existe o suficiente, sempre quero mais, todo mundo sempre quer mais. Mas Cazuza estava certo, o tempo realmente não para. A gente nem percebe, mas cada minuto é precioso, o agora é muito efêmero, nada tem volta. Tudo passa, sempre. Não é falta de ambição, é a capacidade de encontrar um sentido no caminho escolhido, não pensar naquele que a gente deixou passar. A vida é feita de escolhas, por mais piegas que isso possa parecer. As escolhas nem sempre são as mais acertadas? Acontece. Ninguém nunca nasceu sabendo, é tomando tombos que a gente aprende a levantar. O importante é deixar o passado lá atrás, mas sem ter medo de ao longo da caminhada dar uma olhada para trás e sorrir. Aconteceu, cresci, segui. O futuro? Sim, deixa ele pra frente. Alguém uma vez disse “deixa a vida me levar” e isso é tão bom. Viver o futuro é viver o presente com angústia. Deixa que a vida nos leve, nem tudo está sob o nosso controle – contanto que se mantenha sempre a cabeça no lugar e os pés nos chão.A rotina é cansativa, ela suga as nossas forças, testa nossa capacidade de sobrevivência. Mas, como disse Clarice Lispector, a vida é como um soco no estômago. E é mesmo. Viver achando que tudo sempre poderia ser diferente não vai atenuar essa dor, só vai fazer dela uma dor permanente. Existe algo de bom em se conformar, não em ser conformista, mas em ser feliz com as coisas como elas estão, aproveitar que cada momento é insubstituível. A insatisfação traz aquele aperto chato no peito, aquele que a gente não resolve nunca, porque a satisfação plena é inalcançável. A gente vive numa busca constante pela felicidade, pelos mais diferentes tipos de realização. Mas por que buscar e não viver? Por que o que temos agora não é felicidade? Eu cansei disso. Chega de reclamar, chega de desejar hoje o que só se pode ter amanhã, chega de querer ser aquilo que não sou. Chega. Eu quero me satisfazer com o que vivo agora. Eu quero mesmo é ser feliz agora.

domingo, 27 de setembro de 2009

She

As she gets closer to me I start feeling butterflies in my stomach. She looks mysterious today, I think it is because of her sunglasses, I had never seen her in a sunny day before. She walks beautifully as her long straight highlighted hair swings from side to side, along with the warm breeze of spring time. The pair of jeans she is wearing makes her hips look curvier as if she was trying to disguise her petit figure. I see her turning her eyes towards me, but they never look straight to me, I feel them over my head and I make a fool of myself because I cannot help staring at her. She passes by me in a few seconds which I feel like heaven’s eternity. I remain sat in the park bench, she has got me paralyzed and I miss her disappearance along the way. When I finally wake from my daytime dream, she is already gone. She will be back, she always does. I keep her image in my head for as long as possible, but it is never long enough. She is everything I have ever wanted to have – I did not get to see her dark brown eyes today – she is all I could ever dream about – she does know how much I care – she is just everything I have ever wanted to be.